29/01/2010

Igor Souza e sua 1° individual: Indisciplina

Igor Souza aproveitou o tempo entre o convite e a estréia para criar detalhes bem pensados em Indisciplina. Um título que provoca multiplicidade de afazeres e diálogos discretos. O que, respectivamente, constituem o seu ritmo diário e a sua proposta de criação artística. No primeiro, faz cenários, ilustração, se lança em animação e rabisca projetos arquitetônicos. Do segundo, mostra-se na primeira individual com 41 telas que propõem personagens em diálogo, “mesmo que com o nada”, indica. “Ele nunca se resolve por si mesmo, há sempre alguma coisa que está em falta. Gosto de deixar isso vago, para que algo seja construído”, explica.

Tudo começou a pedido de Ilan Iglesias e Larissa Martina, sócios da RV Cultura e Artes, no Rio Vermelho. Do convite à proposta, desenrolaram-se dois meses, tempo certo, para ele que “fazia as coisas no susto”. “Como trabalho em muitas áreas, nunca conseguia estar completamente voltado só à pintura. Foi um processo de maturação intelectual”, diz.

O conteúdo de seu trabalho aparece através das técnicas solúveis em água, acompanhado de spray e canetinhas, influência de cartoonsgraffitis. Igor conta que cada quadro é individual e imprevisível. Prefere não ter temática e, a não ser a certeza do diálogo – e mesmo que com o abstrato -, se atém apenas à intuição e à revisão do que antes já fez virar arte. “Antigamente, eu tinha a regra de que no primeiro erro brutal que cometesse, eu parava. E aí o que é difícil é definir o erro. Hoje, consigo associar mais a questão visual com as questões subjetivas, equilibrar”, analisa.

Dentre os impasses embrionários, o momento do término de um quadro também persistia no duelo das ideias. Mas ele criou a sua estratégia, que são as áreas de respiro, destinadas à contemplação da obra, reflexão, ou até esquecimento. E daí, eis que surgem os ensejos. “Às vezes o quadro está um tempão na minha frente e tem um moleque olhando para cima. Depois de muito tempo, sinto a necessidade de colocar passarinhos, que estão no ar, no chão. Todos ficam no chão, aspirando ao que está na terra”, exemplifica.

Em outro quadro, resolveu cortá-lo, cortá-lo, insatisfeito, na tentativa de achar apenas o era essencial. “De repente, quando percebi, tinha o carinha que conversava com um rato e, de alguma forma, mostrava para o rato que o tempo passava”. E todo o processo de “edição” acabou naquele momento. De toda a forma, reafirma o poder do vago, já dito no início, para dele permitir complementos, que podem vir da interação do observador com a criação. “Até apago algumas coisas para que fiquem abstratas. É um cara chutando uma bola…? Eu vou lá e tiro a bola. Agora, pode ser um movimento”, sugere.

Visitação 12 de dezembro de 2009 a 28 de fevereiro de 2010 – de seg a sex, das 9h às 15h

Onde RV Cultura e Arte – Galeria

End Rua Barro Vermelho 32, Rio Vermelho

Entrada Gratuita!

13/01/2010

Um pouco de política na arte: Arthur Barrio

Lixo = eletricidade. 1976.


Do blog do próprio!

07/01/2010

O sertão pictórico de Galvão Júnior

O sertão está conectado. Se não materialmente, por ideias, geralmente transformadas em arte. O valor artístico se desenrola por lá. Irecê, pertencente ao Polígono das Secas, é um desses centros aglutinadores de poetas, cantadores e, como não, artistas plásticos. Deste último, trazemos a produção de Galvão Júnior, um dos quatro integrantes da exposição coletiva “Novembro Colorido”, que aconteceu na cidade entre 20 e 27 de novembro. Galvão Júnior compartilhou o espaço expositivo com AKarneiro (Canarana), Fernando Queiroz (Barra) e Pedro Lima (Seabra), todos autodidatas, moradores do sertão.

Em suas telas, Galvão Júnior aborda temas ligados à sustentabilidade e o cotidiano do homem sertanejo, que vem se enquadrando ao mundo da cultura  digital. Ele conta sobre estes homens do sertão, acostumados no “fisgado na rede emaranhada que desprezou o velho hábito de cavar a terra molhada e, em seguida, medir dois dedos ou um chave de palmo para, depois, plantar a semente de planos da sua lavoura do sustento. Nos dias de hoje, basta um “play” na tecla da comunicação, que logo ele fica sabendo que a previsão do tempo é boa. Não vai passar de ‘milímetros’. A certeza de encher a cisterna da bonança em seu território de terra fértil cada vez mais semi-árdida”.

Em 1994, ele apresentou a exposição “Jaca”, reverenciada por Luzineide Carvalho, geógrafa formada pela UERJ, autora de “Irecê e sua vizinhança. Estrutura e modernização do sertão (1990)”. Sobre o artista, ela escreveu: “Ele expressa em suas obras a sua vivência e o mundo que o cerca: o sertão. Aprende a traduzir este ambiente num dualismo de imagens que se mesclam entre o sertão real e o sertão mágico e quase surreal. É como se o artista quisesse aquele sertão nostálgico e romântico, mas provido da modernidade com seus verdadeiros e bons benefícios”.

05/01/2010

(Notas do Mundo) Após 16 anos da primeira individual, o MoMa está em retrospectiva de Gabriel Orozco

“Es un trabajo de desprejuicio, un proceso en que busco librarme de prejuicios”.

Os materiais ignorados na vida corrida e cotidiana ganham ares protagonistas no enredo criativo do mexicano Gabriel Orozco, reconhecido agente da arte contemporânea. Ele é mexicano, clamado como um dos artistas mais influentes da década e, não por menos, ganha a primeira retrospectiva no MoMA – Museu de Arte Moderna de Nova Iorque. Ela está aberta a visitação desde 13 de dezembro e percorre até 1 de março de 2010, em uma grande exposição que examina duas décadas de carreira, com 80 obras, irrestritas em linguagens e categorização. São fotografias, desenho, pintura, escultura, instalação, que re-capacitam, repetidas vezes, o banal, o rotineiro, elevando-os do comum à reflexão. A retrospectiva Gabriel Orozco está no sexto andar, no The  International Council of The Museum of Modern Art Gallery.

26/12/2009

(Notas do Mundo) A Arte na Moda

As vestimentas vão agregando significações ao longo da história. Fora divisão social,  repartição cultural e histórica do feminismo, repetição-cópia-democratização-consumismo, delimita as “tribos”, os grupos sociais e os afirma. No todo, faz-se arte da moda e arte na moda.  E o Museu Boijmans Van Beuningen, em Roterdã, Holanda,apresenta “El arte de la moda: Instalación de Alusiones”, em cartaz até 10 de janeiro de 2010. A proposta é justamente essa: investifar as fronteiras entre a moda e a arte contemporânea, que se constrói, cada vez mais, em caráter escultórico e performático. Cinco estilistas foram convidados para proporem um novo trabalho desvincilhado de regras do mundo da moda, sem restrições. A exposição foi concebida em parceria da H + F Fashion on the Edge e é um dos eventos do programa oficial do governo da Holanda em prol da arte.

Criação de Hussein Chalayan

Criação de Walter Van Beirendonck

Criação de Anna Nicole Ziesche

Criação de Naomi Filmer

Veja mais em Blabart.com

16/12/2009

Um minidocumentário sobre “2.234″

2.234 é uma exposição de artes plásticas, mas funciona como movimento artístico em favor da paz. Esse mini-documentário narra algumas das tantas  intenções dos artistas no dia do abre-portas, em 10 de dezembro de 2009, no Casarão do Shopping Iguatemi no Largo de Santo Antônio, Centro Histórico de Salvador. O nome-número, que intitula a exposição, espelha as estatísticas de mortes no ano de 2008 em Salvador e na Região Metropolitana (RMS). Fato que convenceu os organizadores Leonel Mattos (também curador) e Gustavo Moreno pelo tema em favor da PAZ. Esta foi a base que serviu de estopim de transformação de um revólver de  gesso dado a cada um dos 126 artistas convidados. A missão foi recriar o objeto fundamentado na PAZ.

Sobre as interpretações pacíficas, que tal conhecê-las neste minidocumentário?

Agradecimento especial a Hudison Vieira (edição) e ao fotógrafo Márcio Lima (por ceder as fotos)

Você também foi? Então divida as suas impressões!

08/12/2009

Os clássicos registros de Márcio Lima no Ciranda Café Cultura & Artes

Jogador de Sinuca, Márcio Lima

Márcio Lima garante que as cores de suas fotos não têm sentido antropológico. Mas parece. Refaz o cotidiano do olho cru em cores, que refinam de vivacidade poética o popular. “Fotografei muito em preto e branco e quando tomei a decisão de fazer em cor foi querendo mostrar esse universo registrado por mim com cores irreais, com cores que eu mesmo produzo”, conta.

Ele é recifense, nascido em 1960, e desde 1989 fincou morada em Salvador. Em 29 de outubro, montou as suas imagens no Ciranda Café Cultura & Artes, localizado na Rua Fonte do Boi, Rio Vermelho, para estrear esse novo espaço dedicado às artes. Elas estão lá até 20 de dezembro.  “Márcio veio para agregar a idéia artística do espaço. A exposição reúne algumas obras já bastante conhecidas e outras que foram ampliadas para essa expo”, afirma Ingrid Machado, organizadora.

 

Vendedor de Bananas, Márcio Lima

São registros que partem da década de 1990, elaboradas com todo o ritual analógico, nostálgico para os clássicos amantes da fotografia. “Tem um gostinho diferente, gosto de pegar no cromo, de sentir o cheiro do filme e degustar melhor as imagens, não tenho pressa. E tem outra coisa, fotografo já um bom tempo com câmera de médio formato e as lentes dela tem um corte especial para o que faço”, opina. Em paralelo aos trabalhos autorais, rende-se ao cenário digital quando o assunto tem cunho comercial, “porque o mercado exige e é mais rápido distribuir as imagens”, diz.

Para as suas criações, obedece a um critério padrão: sai às ruas, se dispõe ao acaso. Participa do dia-a-dia, como observador em busca de histórias, cenários, pessoas. “É a latinidade do nosso povo, esse jeito de arrumar a vida de modo simples e prático, que muitas vezes tenho a sensação de está fotografando a mim mesmo”, descreve. Junto aos enquadramentos, nesse processo, evidenciam-se as cores.

Criança do Marajó com Papagaio, 2002

Márcio Lima é um fotógrafo experiente e premiado. Seus registros incluem-se em acervos de grandes instituições artísticas, como o Museu de Arte Moderna da Bahia, o Museu de Arte de São Paulo (MASP) e o Light Work – Syracuse, em Nova Iorque (EUA). Em Salvador, além do MAM-BA, também participam da coleção da Galeria Paulo Darzé e Fábio Pena Cal.

Mais fotos no Coletivo Arcapress

 

O quê Exposição Márcio Lima

Quando 29/10 a 20/12, das 10 hrs às 21 hrs

Onde  Ciranda Café Cultura & Artes – R. Fonte do Boi, 131, Rio Vermelho

 

04/12/2009

A exposição “Arquitetos Artistas” já encerrou… Mas, vale a recordação…

Dentre suas obras, Aruane Garzedin escolheu este quadro: "Ele fala de superfícies, texturas, passagem do tempo e da relações entre dentro/fora, das barreiras e permeabilidades...', explica.

Por 20 dias, as portas do Museu de Artes Sacras da Universidade Federal da Bahia anunciavam a visitação para a exposição “Artistas Arquitetos”, parte das comemorações do aniversário de 50 anos da Faculdade de Arquitetura da UFBA. Bem, é certo que elas se fecharam na última segunda-feira, 30 de novembro, o que impede o acesso o museu, sim, mas não ao conteúdo. Ora, quem ali expôs são alguns dos grandes nomes da arte contemporânea de Salvador, e incluem-se entre os ex-alunos de Arquitetura da UFBA, mesmo que hoje, uns estejam mais para artista, outros mais para arquiteto.

São 18 descendentes dos nostálgicos Diógenes Rebouças, Silvio Robatto e Nilton Silvas: Adriana Diniz, Almandrade, Ana Teresa Kauark, Aruane Garzedin, Cássio Ribeiro, Xico Diniz, Chico Mazzoni, Eliezer Nobre, Eneida Sanches, Gilberbert Chaves, Jamison Pedra, Juraci Dórea, Lourenço Mueller, Luiz Humberto, Marcelo Silva, Paulo Canuto, Pasqualino Magnavitta e Waldo Robatto.

Juntos, somados com os três primeiros – já falecidos – resultaram 21 obras de arte. São pinturas, esculturas, fotografias e gravuras, por exemplo, cujo foco é  o entrelaçamento estético e arquitetônico. Aruane Garzedin, que tem mestrado em Desenho Urbano e doutorado em Artes Plástica, é o sinônimo da ponte entre as duas áreas. Organizou o evento em conjunto com os artistas. “Acredito que essa iniciativa, além de mostrar um pouco da arte contemporânea em Salvador, ao reunir vários artistas atuantes no momento, pode contribuir para discussões e reflexões sobre a relação arte/arquitetura e sobre a relatividade das fronteiras interdisciplinares”, comenta.

Tal condicionamento artístico aguça a curiosidade: será reflexo histórico? Afinal, até 1887 o curso de Arquitetura era ligada à Escola de Belas Artes. Para Garzedin, aquela era época de estreitamento mais próximo entre os dois campos, e que hoje precisa ser incrementado, para o bem da própria arquitetura.  ”A atividade de arquitetura possui um componente artístico muito forte, enquanto criação que envolve valores formais, estéticos, culturais e históricos.  Quando o curso era ligada à Faculdade de Belas Artes a visão da arquitetura ainda possuía um caráter decorativo maior”, diz.

01/12/2009

O MAM recebe Tempo de Fundo, exposição de Lica Moniz

O título é um termo de mergulho que significa profundidade x tempo. Sobre isto, Lica sugere metáforas, como um mergulho, a fundo, dentro de si  

 

Lica Moniz na preparação da instalação Tempo de Fundo 4. Crédito: Kiki Moniz

 Séculos se passaram e o pedaço de terra que, entre XVI e XVII, fora posse dos beneditinos e, depois, cenário senzala, foi modelado pela arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi, nos anos 1960, para abrigar, à beira da Baía de Todos os Santos, o Museu de Arte Moderna da Bahia, o MAM. Lá, o mar azul anil e sol forte que queima e cintila a água deixa qualquer visitante extasiado. Lica Moniz, que todos os finais de semana passeia nessa água calma, está encantada, satisfeita. Estreou em 10 de novembro com Tempo de Fundo nas salas da Galeria Subsolo, congratulada com a vista necessária para o contexto da exposição. O mar é o objeto, o espaço e o conceito das criações, fruto do trabalho de conclusão de Mestrado em Artes Visuais pela Escola de Belas Artes da UFBA. Todo esse diálogo pode ser visto até 9 de dezembro e sintetiza as sensações que acompanham Lica ao longo de uma vida imersa em mergulhos a bordo de um veleiro.

“Ela traz em sua obra uma ruptura com os suportes e espaços tradicionais na arte, exigindo uma postura não apenas contemplativa, mas participante e consciente da materialidade e da fenomenologia do mundo em que habitamos”, descreve a professora Dra.Viga Gordilho, orientadora da dissertação, no texto de apresentação. O sentido de Tempo de Fundo foi composto por quatro criações, uma delas restrita à noite de abertura, 9 de novembro: intervenção com luzes e mar, como explica no vídeo abaixo, gravado na ‘visita guiada’ da última quinta-feira, 25 de novembro.

Na foto de Valéria Simões, o resultado da intervenção de Lica -  luzes e mar na Baía de Todos os Santos

 

 

 

    

Lica expõe trechos dos livros que participam de seu repertório, simbolizando o todo como uma única página. Foto: Kiki Moniz

  Já o espaço de Tempo de Fundo 1 foi o bônus da artista para o público. A sala pequena tinha, no chão, água salgada, sobreposta por um tablado vazado de madeira, representando um píer. O cenário está dado, mas a atenção do visitante é atraída pelo que está logo à frente:  páginas, contra capas e folhas de rosto pregadas na parede. Tudo original, partes dos livros revisitados tantas vezes por Lica. Dentre eles, O Livro das Maravilhas, de Ramon Llull, Os Velhos Marinheiros, de Jorge Amado, Relatos de um Naúfrago, de Gabriel García Marques e 20 000 Léguas Submarinas, de Júlio Verne. “Eu não pude usar tudo isso na minha dissertação, mas é uma maneira de mostrar o que me acompanha. São minhas influências, leituras que me formaram, é como se fosse uma só página de livro, do agora”, explica Lica.

 

  

 Para atingir o objetivo da exposição, precisou juntar o repertório marítimo e artístico aos de biologia e arqueologia para a coleta de objetos encontrados no fundo do mar, expostos dentro de vasos, em uma sala escura: a Tempo de Fundo 2. São redes de pescador, espinhas do peixe budião azul, destroços de lixos que, nas ideias de Lica, tomaram proporção artística. “A arte tem disso, quem diz que aquilo está sacralizado como objeto de arte é o artista”, diz. Confessa que sustentou um freio em relação às manifestações artistas contemporâneas, que perdurou até 2005, época em que percebeu que podia associar o seu cotidiano à produção. “Antes tive vários embates até entrar, entender e gostar. Hoje, minha paixão é a arte contemporânea”, afirma.

A sequência de vasos com indícios marinhos, acompanhada do escuro e de som, na sala da Tempo de Fundo 2. Foto: Kiki Moniz

 Na sala próxima, também escura, ouvê-se o intenso som de respiração da artista em 40 m e, depressa, a luz azul também chama a atenção. É o recanto de Tempo de Fundo 3. O azul vem horizontal ao chão, como o mar, e é uma filmagem em tempo real do momento do mergulho - aparecem índicios, por exemplo, de Lica afundando com uma bóia e sua mão segurando o cabo. Mesmo com todo efeito, segundo Lica, a simbologia não a satisfaz no sentido visual. “Mais que a imagem, para mim, o mais importante é o som. Quando a gente está nessa ação, esquece que o mar é grande, que chega a todas as partes do mundo. Sente apenas você e você. O seu coração escuta a sua respiração e as bolhas. É uma coisa que internaliza, justamente o contrário da imaginação das pessoas que não têm essa experiência, acham que estão na imensidão. Mas é o contrário, é algo que vai para dentro, para o fundo”, descreve a artista. 

O contraste do azul no preto na sala de Tempo de Fundo 3. Foto: Kiki Moniz

 

25/11/2009

As mandalas de Niejila Brito

Niejila Brito tem 23 anos. Até surpreende, pouco parece a idade, mas isso não importa. Encontro-a em trajes que já dão dicas sobre as suas referências – turbante, vestido longo, rasteira, pulseiras de couro, pedras, prata e maquiagem à la ”olho de gata’ – no Instituto Mauá (Pelourinho), inserindo os últimos retoques de Mantras que Saem do Vinil, que estreou na noite anterior (18). É sua primeira exposição individual: como autodidata que é, fez a sua própria assessoria artística: deu uma ‘batidinha’ na porta do Mauá, mostrou suas criações, argumentou e, adiantou, fica lá até 30 de novembro.

“Eu acredito no dom. Comecei a produzir em cima da inexperiência. O início são mesmo as ideias, mas o processo surge no inusitado e o resultado, para mim, é satisfatório”, conta, entusiástica. As mandalas surgiram há pouco mais de cinco anos, época em  que praticava artesanato, e foi tomando o seu tempo, espaço e cuidado. Mantras que Saem do Vinil reflete a personalidade de Niejila. “Gosto da cultura africana, inca, maia, espiritualidade, sempre tive simpatia. Gosto da energia que os próprios elementos orgânicos trazem, até porque mandala significa isso, o ciclo energético. Eu tenho muito respeito pela mística que envolve as mandalas”, diz.

Para a base das mandalas, Niejila optou pelos vinis. Não à toa. Segundo ela, o vinil era a única forma de ouvir o dom dos outros através do som. “Mantras são como mandalas decorativas em notas musicais e as mandalas são mantras em desenho, forma”, explica. E as mandalas se espalham em cavaletes decorados por lenços no salão do Mauá. Os contrastes coloridos e as sensações táteis são obtidas por tinta relevo e por sementes, graõs, cascas de ovos de avestruz ou galinha de granja e o que mais recolherem para ela.

Visitação Mantras que Saem do Vinil

De 19 de novembro a 30 de novembro

Horário Segunda a sexta, das 9h às 17h30

Onde Instituto Mauá (Espaço Cultural Mestre Abdias) – R. Gregório de Matos, 27, Centro Histórico, Salvador. Tel 3116-6710