Igor Souza aproveitou o tempo entre o convite e a estréia para criar detalhes bem pensados em Indisciplina. Um título que provoca multiplicidade de afazeres e diálogos discretos. O que, respectivamente, constituem o seu ritmo diário e a sua proposta de criação artística. No primeiro, faz cenários, ilustração, se lança em animação e rabisca projetos arquitetônicos. Do segundo, mostra-se na primeira individual com 41 telas que propõem personagens em diálogo, “mesmo que com o nada”, indica. “Ele nunca se resolve por si mesmo, há sempre alguma coisa que está em falta. Gosto de deixar isso vago, para que algo seja construído”, explica.
Tudo começou a pedido de Ilan Iglesias e Larissa Martina, sócios da RV Cultura e Artes, no Rio Vermelho. Do convite à proposta, desenrolaram-se dois meses, tempo certo, para ele que “fazia as coisas no susto”. “Como trabalho em muitas áreas, nunca conseguia estar completamente voltado só à pintura. Foi um processo de maturação intelectual”, diz.
O conteúdo de seu trabalho aparece através das técnicas solúveis em água, acompanhado de spray e canetinhas, influência de cartoons e graffitis. Igor conta que cada quadro é individual e imprevisível. Prefere não ter temática e, a não ser a certeza do diálogo – e mesmo que com o abstrato -, se atém apenas à intuição e à revisão do que antes já fez virar arte. “Antigamente, eu tinha a regra de que no primeiro erro brutal que cometesse, eu parava. E aí o que é difícil é definir o erro. Hoje, consigo associar mais a questão visual com as questões subjetivas, equilibrar”, analisa.
Dentre os impasses embrionários, o momento do término de um quadro também persistia no duelo das ideias. Mas ele criou a sua estratégia, que são as áreas de respiro, destinadas à contemplação da obra, reflexão, ou até esquecimento. E daí, eis que surgem os ensejos. “Às vezes o quadro está um tempão na minha frente e tem um moleque olhando para cima. Depois de muito tempo, sinto a necessidade de colocar passarinhos, que estão no ar, no chão. Todos ficam no chão, aspirando ao que está na terra”, exemplifica.
Em outro quadro, resolveu cortá-lo, cortá-lo, insatisfeito, na tentativa de achar apenas o era essencial. “De repente, quando percebi, tinha o carinha que conversava com um rato e, de alguma forma, mostrava para o rato que o tempo passava”. E todo o processo de “edição” acabou naquele momento. De toda a forma, reafirma o poder do vago, já dito no início, para dele permitir complementos, que podem vir da interação do observador com a criação. “Até apago algumas coisas para que fiquem abstratas. É um cara chutando uma bola…? Eu vou lá e tiro a bola. Agora, pode ser um movimento”, sugere.
Visitação 12 de dezembro de 2009 a 28 de fevereiro de 2010 – de seg a sex, das 9h às 15h
Onde RV Cultura e Arte – Galeria
End Rua Barro Vermelho 32, Rio Vermelho
Entrada Gratuita!













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