A pergunta que parece simplória, nem simples é. Gisella Callas, diretora do documentário A Margem da Linha (2008), em cartaz no cinema da UFBA, diariamente às 14:30 hrs, propõe o questionamento para artistas da arte contemporânea que, durante pouco mais de uma hora, pregam, divergem e compartilham opiniões a respeito desse corrente universo de discussões enérgicas. Para eles, pode ser busca, inserção, transformação, registro de tempo, de história ou, simplesmente nada. Até, talvez, pelo nada, não se viva sem arte.
Tendo a narrativa dividida em seis dimensões [O Ponto (O olhar) - O Desenho - O Espaço - O Tempo - O Êfemero - O criador e a Criação], e respaldada por argumentos expostos através de experiências de artistas mergulhados no universo das artes plásticas – Regina Silveira, Sergio Sister e José Spaniol são os personagens centrais -, o telespectador tem, frente à tela, o poder de reinterpretar cada temática como ponto de discussão.
A Margem da Linha serve para diferenciar o contemporâneo do moderno; para contrabalançar as percepções sobre aquela arte que você viu no museu e achou pura maluquice. Também como compreensão do processo criativo - do que é mais, ou igualmente importante: a matéria, a forma ou o conteúdo; para avaliar a relevância das inspirações artísticas que, para muitos deles, estão muito aquém das intuições. Condiciona as inquietudes sobre o desenho - se é essência e/ou se não chega a ser nem primordial para a concretização da obra de arte; reforça a vitalidade das cores, a vibração e os efeitos estéticos que a enaltecem e os sentidos que delas brotam.
Provoca o pensamento sobre a real interferência do espaço físico em que a obra de arte será submetida à elaboração criativa que ela terá (espaço que pode ser museológico, urbano, não tem limite nem classificação). Fala do tempo passado – o contemporâneo como desdobramento da arte moderna; do tempo presente - as apropriações como reversão de sentido, a espetacularização da estética, a crítica que não critica e o comportamento atual da curadoria – hoje parte da própria obra de arte, sentido problemático. Do tempo futuro, questiona: “O que é e o que não é arte?”
~> Diversidade, multiplicidade. Arte desacralizada pelo urbano. Sobreposta de conceito, posturas, leituras. Para quem procura alguma aproximação, um contato mais íntimos ou a rotineira aproximação com a arte contemporânea, A Margem da Linha oferece a apresentação com um esqueleto de entraves, sempre necessárias.
Para conhecer as artes dos personagens
*Regina Silveira / Umbrales - Galeria Metta, Madrid (2008)
*Sergio Sister/ Galeria Nara Noesler (2008)
*José Spaniol – O descanço da sala (2007)




