Por isso, lhe importa a arquitetura, explorar paredes, vazios… É seu prazeroso “ato de esculpir”, “a maneira de decidir o espírito poético da exposição”, que, segundo ele, mais complexo fica após anos de produção. O Palacete das Artes, na Graça, é a morada de suas obras aqui em Salvador até 15 de agosto, é onde desenhou seus sentidos. Lá, apresenta a obra que mais lhe desperta atenção ultimamente. A última, Filme Rápido (2010), exposta na chamada “sala negra”.
Prestando honras a casa, galanteia o atual anfitrião, a quem diz admirar: Auguste Rodin. O que, aliás, é uma das propostas do Programa Quarta Dimensão (DIMUS/IPAC), aceito por Waltercio. Para tanto, lançou um viés ousado: “O que seria Rodin sem a sua matéria prima: o mármore, o bronze?”. A resposta colhe da tradição grega, na possibilidade do artista despertar a matéria do sono, que é como acredita ter se comportado o espírito artístico do Rodin. Para encerrar, explica a obra Rodin sem Bronze (2010): “Eu utilizei a falta do bronze como uma questão e coloquei o algodão como uma matéria que pudessem ser despertada, em homenagem a Rodin. Escolhi o algodão, absolutamente sem forma e ao mesmo tempo latente de possibilidades”, refina.
Waltercio Caldas por outras palavras
♣ Por Paulo Sérgio Duarte, em Interrogações Construtivas
Negando o culto da imagem e a falsa generosidade desse universo farto de figuras e pobre em raciocínio, as esculturas de Waltercio trazem na sua ascese uma sutil dose de humor da qual deriva o prazer. Essa dimensão existencial se realiza num processo em cadeia, em sucessivos enigmas para a retina, na promessa de que, se não cessarmos de usar a inteligência, é possível conviver com o real, apesar de sua brutalidade e aparência absurda”.
♣ Por Lorenzo Mammi, em Panorama de arte atual brasileira (1997)
Os volumes das esculturas de Waltercio são incorpóreos, mentais e, todavia, não conseguimos definir com clareza sua geometria, não poderíamos duplicá-los ou utilizá-los como módulos. As coisas aludem ao espaço, mas não o desenham. Interrogados, seríamos obrigados a responder tautologicamente: ‘Este espaço aqui, que estas coisas sugerem’. Idéia e corpo não ocupam, assim, dois lugares separados, um no pensamento, outro no espaço; eles superpõem-se, parecem gerar um ao outro simultaneamente.
♣ Por Tadeu Chiarelli, em Arte Internacional Brasileira (1999)
Observando suas obras, o visitante perceberá que Caldas atualmente mergulha na subversão de certos pressupostos da tradição construtiva. Suas esculturas interrogam os rigores da geometria aplicados à escultura, criticam a participação física do público na apreciação da obra (as peças em vidro, se tocadas, podem simplesmente espatifar) e, quando se aproximam do design – uma das utopias construtivas -, desestruturam seu conceito de funcionalidade. Caldas descarrega sobre a tradição construtiva uma ironia e uma consciência crítica que há anos não se via com tanta intensidade.
Fonte das citações: Release da DIMUS
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